Problemas da Hipófise

Data de criação 19/10/2011

A hipófise, uma glândula do tamanho de uma ervilha e localizada na base do cérebro, produz determinada quantidade de hormonas. Algumas, como a corticotropina, a hormona estimulante da tiróide, a foliculoestimulante e a luteinizante, controlam a função de diferentes glândulas endócrinas, estimulando-as a produzir outras hormonas. A hormona do crescimento, outra pituitária, assegura o crescimento durante a infância.

SÍNDROMES CLÍNICAS HIPOFISÁRIAS

Hiperprolactinemia: produção excessiva de prolactina, um hormônio da hipófise, que acarreta irregularidade menstrual (nas mulheres), infertilidade, redução da libido e impotência (nos homens), com ou sem galactorréia (produção de leite fora do período puerperal).

Acromegalia: resultante da produção excessiva do hormônio de crescimento. Quando ocorre na infância leva ao gigantismo. Em adultos a acromegalia é caracterizada por aumento das mãos e pés, face característica com embrutecimento das feições, alargamento do nariz, aumento dos lábios e língua, aumento da fronte, sudorese excessiva e dores articulares. Pode acarretar também outras doenças como diabetes, aumento do coração, hipertensão, aumento da tiróide.

Doença de Cushing: causada por um tumor, geralmente muito pequeno, que produz um hormônio hipofisário e estimula a produção de cortisol pelas supra-renais. As características clínicas desta síndrome são principalmente: aumento de peso, principalmente com aumento da gordura na face e tronco, mas com membros finos, pele fina com estrias largas e violáceas e hematomas. Diabetes mellitus e hipertensão arterial de difícil controle também são comuns nesta síndrome.

COMO IDENTIFICAR
O diagnóstico de problemas clinicamente importantes da hipófise, isto é com manifestações clínicas que exijam tratamento, são relativamente raras na população. No entanto o achado incidental de lesão na hipófise identificada através de exame de imagem, tomografia computadorizada ou ressonância magnética de crânio, realizada por sintomas não relacionados a problema hipofisário, é relativamente frequente: 10 a 20% das pessoas sem sintomas sugestivos de doença hipofisária, que fizerem uma ressonância de crânio poderão ter uma lesão na hipófise identificada e laudada no exame de imagem. 
A doença pode ser identificada a partir de sintomas sugestivos que podem ser devido a alteração da produção dos hormônios pela hipófise, podendo acontecer tanto em lesões pequenas como grandes ou devido a compressão de estruturas vizinhas à hipófise, no caso de lesões grandes.
É possível detectar o problema também a partir de um exame de imagem realizado por qualquer motivo (trauma, cefaléia, etc) que mostre uma lesão suspeita na hipófise.

Outra forma de diagnosticar as lesões é de modo incidental, através de exame realizado por qualquer motivo, mas em paciente assintomático quando à função da hipófise. Assim, se descartado na história e exame físico cuidadosos, qualquer sintoma sugestivo de hiper ou hipofunção hipofisária a conduta nestes pacientes será individualizada dependendo das caracterísitcas da lesão: tamanho, se sólida ou císitca, se passível de ser variação anatômica normal, ou em casos mais duvidosos, a avaliação da função da hipófise estará indicada.

CAUSAS
A maioria das lesões da hipófise são adenomas (tumores benignos) que podem ser funcionantes, isto é produzirem algum hormônio em excesso, ou serem não funcionantes. Nos casos das lesões funcionantes o paciente pode apresentar uma síndrome (conjunto de sintomas e sinais) dependente do hormônio que está sendo produzido em excesso tanto por um microadenoma (tumor menor que um centímentro) como por um macroadeoma (tumor maior que um centimetro). 
No caso das lesões não funcionantes, isto é que não produzem nenhum hormônio em excesso os sintomas dependem do tamanho do tumor. Assim, nestes pacientes a suspeita de lesão hipofisária será feita a partir de sintomas como cefaléia e alteração da visão, principalmente dos campos temporais da visão. Ou seja, o paciente pode apresentar visão central normal mas não enxergar bem as laterais. O teste pode ser feito com o paciente olhando um ponto fixo à frente e testar o quanto percebe movimentação feita na região lateral do rosto. O exame oftalmológico indicado para este diagnóstico é a campimetria. 
Mesmo os tumores funcionantes, quando de tamanho grande o suficiente podem causar cefaléia e alteração visual associada aos sintomas da hipersecreção hormonal.

SINTOMAS
Outros sintomas possíveis são dependentes da destruição do tecido hipofisário normal comprometendo a produção normal dos hormônios da hipófise, assim em qualquer caso de lesão hipofisária é possível observar alteração menstrual nas mulheres ou da potênica nos homens, redução dos pelos corporais; sintomas de hipotiroidismo como frio excessivo, pele seca, desânimo, esquecimento; e sintomas da falta de cortisol como queda da pressão principalmente quando em pé, perda de peso e do apetite. 
Importante: Os sintomas ligados aos tumores ou lesões da região hipofisária são muito variáveis e dependentes da alteração da função hormonal da hipófise.

INCIDÊNCIA
Em estudos de autópsia realizados em pessoas que falecerem sem apresentar nenhum sintoma de alteração da hipófise, até 26% delas apresentavam pequenas lesões (cistos ou tumores benignos) na hipófise, muito mais raramente metástases de tumores malignos, ou outras lesões foram encontradas.  O achado incidental de lesões hipofisária aumenta com a idade e tem maior incidência em mulheres. 
No entanto, lesões clinicamente significantes não têm fator predisponente, exceto raros casos associados a uma doença familiar chamada neoplasia endócrina múltipla do tipo 1 em que os pacientes afetados podem apresentar tumor nas paratiroides, no pâncreas e na hipófise.

TRATAMENTO
Como os tumores são as lesões mais comuns, a cirurgia está indicada em boa parte dos casos. No entanto, em tumores produtores de prolactina, os prolactinomas, o tratamento medicamentoso é mais eficaz que a cirurgia em tumores grandes e tão eficaz quanto a cirurgia em tumores menores, por isso o tratamento de escolha na maioria dos proalctinomas é medicamentoso.
Também existem medicamentos eficazes no tratamento da acromegalia, embora a cirurgia ainda seja a primeira opção para a maioria dos casos, o tratamento clinico pode ser indicado após cirurgia que não foi curativa ou como primeira opção em casos nos quais a cirurgia seja contraindicada ou em casos individuais.
A cirurgia geralmente é realizada pela via transesfenoidal, pelo nariz, via utilizada quase que exclusivamente para a hipófise, e portanto poucos neurocirurgiões especializados no tratamento da lesões hipofisárias estarão aptos e experientes com esta via.
A radioterapia também pode ser útil para o controle do crescimento do tumor em casos com tumores mais agressivos e invasivos, nos quais a cirurgia pode obter apenas ressecção parcial do tumor. Pode ser fracionada em doses pequenas em 20 a 26 aplicações ou em uma única aplicação chamada de radiocirurgia.

RECOMENDAÇÃO
As pessoas que tenham tido diagnóstico de lesão hipofisária assintomática, ou que tenham qualquer sintoma que possa estar relacionado a alteração da função hormonal da hipófise ou a compressão de estruturas vizinhas à hipófise deverão consultar endocrinologista experiente para cuidadosa avaliação hipofisária e indicação individualizada de tratamento ou de acompanhamento apenas.

Fonte: Dra. Nina Rosa de Castro Musolino

Atualizada em: 19/10/2011

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