Gigantismo/Acromegalia

Data de criação 02/04/2012

Doença rara tratada por endocrinologistas a acromegalia é causada pelo aumento da secreção do hormônio de crescimento (GH) e suas características variam de acordo com a fase em que se manifesta: nos adultos, o crescimento atinge as partes moles (pele, tecido celular subcutâneo, tendões, músculos, nervos e cartilagens), enquanto na infância e adolescência o crescimento é longitudinal, causando aumento da velocidade de crescimento e, neste caso, é chamada de gigantismo.

De acordo com a médica endocrinologista Dra. Nina Musolino, presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), em mais de 95% dos casos, a acromegalia é causada por um tumor hipofisário benigno, adenoma, produtor de hormônio de crescimento que causa elevação de outro hormônio: o IGF-1. A médica, que se dedica há mais de 25 anos no Hospital das Clínicas exclusivamente na área da neuroendocrinologia e participa de estudos clínicos ligados à aplicação de novas drogas indicados para pacientes com acromegalia, ressalta que os pacientes evidenciam o início dos sintomas sugestivos da doença, em média, sete a dez anos antes da confirmação diagnóstica.

O que acaba retardando o tratamento correto é o fato de que muitos pacientes procuram especialistas para tratar das complicações decorrentes da doença como hipertensão, insuficiência cardíaca, dores nas articulações, síndrome do túnel do carpo, prognatismo, cefaleia e, embora realizando exames e usando medicações para estas co-morbidades, anos se passam antes da suspeita da doença que levou a estes problemas. “Este atraso pode levar ao crescimento progressivo do tumor, podendo comprimir vias ópticas, causar perda visual, piora das co-morbidades, alem de reduzir as chances de resolução do problema com o tratamento cirúrgico”, alerta.

 

Tratamento

De acordo com a endocrinologista, a cirurgia é o tratamento de escolha para a maior parte dos pacientes com acromegalia. Ela explica que a cura depende da experiência do cirurgião, mas também das características do tumor como tamanho e invasão das estruturas próximas à hipófise. Mesmo quando não curativa a cirurgia ameniza a doença, pois pode reduzir o volume do tumor, descomprimir estruturas como o quiasma óptico, levando à melhora visual e dos sinais e sintomas da doença, isto porque diminui os níveis séricos do hormônio de crescimento e do IGF-1.

Quando a cirurgia não leva à normalização hormonal existe a possibilidade de tratamentos complementares, medicamentosos ou por irradiação. “A radioterapia é útil para controlar o crescimento do tumor, embora a normalização hormonal não ocorra em todos os casos e pode demorar muitos anos para ser alcançada após a realização do tratamento”, explica.

Musolino aponta outros medicamentos efetivos no tratamento da acromegalia, em especial os análogos da somatostatina e o antagonista do receptor do hormônio de crescimento. Os agonistas dopaminérgicos, embora menos efetivos, também podem ser úteis isoladamente ou associados aos análogos da somatostatina. Ela afirma que a droga mais eficaz para tratar a doença é o pegvisomanto, antagonista do receptor do hormônio de crescimento. Ele normaliza o IGF-1 em até 92% dos casos, levando a melhora significativa dos sintomas da acromegalia, em especial melhora metabólica, com redução ou suspensão da medicação para o diabetes em boa parte dos pacientes tratados. “Embora sua ação seja no receptor do hormônio de crescimento e não no tumor, poucos são os relatos de pacientes que tenham sofrido aumento no tumor”, conclui.

 Fonte: Tierno Press Assessoria

Atualizada em: 02/04/2012